Paraty : Caminho do Ouro PDF Imprimir E-mail
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Com a descoberta do ouro em 1695, tornou-se a principal passagem para as Minas Gerais, e em 1703 uma Carta Régia determinou que se instalasse uma Casa de Registro para as riquezas que desciam pelo caminho.

Os índios Goianá, primeiros habitantes de Paraty, usavam uma trilha na serra que ligava suas duas aldeias, a de Paraty e a do Vale do Paraíba. Em 1660, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, mandou “abrir e descobrir” esse caminho para o interior, reconhecido como a melhor maneira de se chegar a São Paulo. Do Rio, seguia-se por terra até o porto de Sepetiba, de onde se aproveitava o mar protegido pela Restinga de Marambaia e da Baía da Ilha Grande, aportando em Paraty para a subida da serra.

Com a descoberta do ouro em 1695, tornou-se a principal passagem para as Minas Gerais, e em 1703 uma Carta Régia determinou que se instalasse uma Casa de Registro para as riquezas que desciam pelo caminho. Sua utilização diminuiu em meados do século XVIII, com a abertura do Caminho Novo para o Rio de Janeiro, mais curto e apenas por terra. Com o plantio do café no Vale do Paraíba a partir do início do século XIX, o uso do Caminho Velho voltou a ser intenso, para o tráfico de escravos, para escoar a produção cafeeira e para levar aos barões do café o luxo trazido da Europa. Com a chegada da ferrovia ao Vale do Paraíba na segunda metade do século XIX, o caminho foi deixando de ser usado.

A pavimentação com pedras do caminho na serra foi necessária devido à alta pluviosidade combinada com os acentuados declives; esse calçamento, além de tornar trafegável o caminho, permitiu também sua sobrevivência até os dias de hoje, mesmo tendo sido aos poucos coberto pela mata após seu abandono. São 8.700 m calçados em pedra seca, alguns trechos no século XVIII, outros no século XIX, quando houve manutenção e reforma geral. Os trechos do século XVIII são compostos por pedras mais toscas, mais arredondadas e menos resistentes. Já no século XIX o calçamento foi composto por rochas de formato mais retilíneo, obtidas por explosão controlada, as maiores medindo mais de um metro de lado, entremeadas por areia grossa e outras menores que dão uniformidade ao conjunto. A maior parte do Caminho está dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, e atualmente só estão abertos à visitação, com guia credenciado, os 2 km que se iniciam no Bairro dos Penha.

Fonte: Site Paraty Cultura - Paraty Estudante, Diuner Mello; O Caminho do Ouro em Paraty e sua paisagem, dossiê da candidatura ao patrimônio mundial.

 

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